TCC – Rascunho da Introdução
Universidade Federal de Goiás
Faculdade de Letras
Departamento de Línguas e Literaturas Estrangeiras
Área de Inglês
O uso da literatura no processo de aquisição de língua estrangeira
Orientador: Prof. Grace Aparecida Pinheiro Teles-Botter
Introdução
A literatura coloca à nossa disposição a possibilidade de ampliação de nossos horizontes. Ela nos mostra os variados cenários da realidade, com suas características sempre diversas e, muitas vezes, até antagônicas. Ela nos apresenta distintos pontos de vista sobre todos os assuntos e muitas opiniões acerca do mesmo assunto. Com a literatura, a história e a cultura de povos e de regiões longínquos, tornam-se conhecidos e, talvez, mais aceitas. O conhecimento torna-se disponível, independentemente de localização no espaço ou no tempo graças à literatura.
A utilização de textos literários no processo de aquisição de língua estrangeira “oferece materiais valiosos, autênticos e relevante que possibilitam enriquecimento cultural e da linguagem e envolvimento pessoal para o aluno” (Aeberfold e Field,1997, p. 157). É através da leitura de obras na língua estrangeira que o aluno aprende a cultura de uma e de várias comunidades que a tem como língua materna e, Segundo Torres (1998, citado por Nogueira, 2008, p. 162), “não há nada que represente melhor sua cultura que sua literatura”.
A literatura, segundo Rosenfeld (2004, citado por Nogueira, 2008, p. 161) “amplia e enriquece a nossa visão de realidade de um modo específico. Permite ao leitor a vivência intensa e ao mesmo tempo a contemplação crítica das condições e possibilidades da existência humana”. Assim, ao utilizar uma obra literária, o professor que oferece atividades de pesquisa e debates, por exemplo, ajuda o aluno a se tornar mais capaz de compreender melhor sua realidade e a do outro cuja língua está sendo utilizada.
Mas, para Nogueira, como a linguagem literária gera uma multiplicidade de interpretações que devem ser preenchida pelo leitor, no caso o aluno, muitos professores de LE preferem excluir o texto literário de suas aulas. Isso acontece porque o tempo que o professor tem para desenvolver o programa da disciplina é insuficiente para a aplicação e discussão dessas obras literárias e, algumas vezes, por mero desinteresse do professor.
Nós, professores, estamos ensinando não apenas uma língua, mas também o que nossos alunos irão fazer dela. E é, também através das obras literárias escritas na língua original, que os alunos passam a lidar com uma ‘língua real’, não através de textos simples e especialmente direcionados a ensinar a gramática da língua. É com a leitura dessas obras que “o leitor não só aprende novas palavras que liberam a imaginação, mas novas extensões do uso da língua e novos exemplos de aptidão lingüística são mostrados” (Bassnett, 1993, p.2).
Outro aspecto a considerar é que a literatura entra no campo da fantasia, proporcionando certo prazer quando o leitor se envolve com a história, vivenciando a leitura através da leitura. Tanto crianças, como adultos se sentem atraídos por essa ficção do ser humano. Dessa forma, o aluno aprenderá a língua estrangeira de um jeito bem mais prazeroso.
Um outro tema que podemos explorar é abordado por Savvidou (2004), que fala sobre outra contribuição da literatura, que é a aquisição de uma “competência comunicativa”. Ela diz que essa competência é mais do que um profundo conhecimento da estrutura e da forma. Ela também envolve a aquisição da habilidade de interpretar um discurso em todos os contextos sociais e culturais.
Tal reflexão nos leva a concluir que a través da literatura o aluno entra em contato com estruturas e expressões diferentes que passam a fazer parte de sua esfera linguística de uma forma inconsciente, segundo Nogueira. Porém, a autora fala da dificuldade que alguns alunos têm para compreender o texto literário, pois nem sempre ele possui a competência lingüística necessária para sua compreensão e interação com o texto.
O grande problema para Nogueira é que o aluno lê pouco e não possui esse hábito nem mesmo na língua materna. E quando o aluno lê, nota-se que ele já foca nas atividades propostas, muitas vezes pelo próprio livro didático, com os objetivos de responder a questões que induzem o aluno a repetir as mesmas estruturas do texto, reforçar aspectos gramaticais, ampliação do vocabulário, produção de um novo texto e destacar algum aspecto cultural.
Esse trabalho é importante pois ele foca a literatura enquanto enriquecimento cultural do aluno, e não como um instrumento para ensinar puramente a gramática. Paran (2008) cita em seu artigo sobre o que ocorre nas aulas de literatura estrangeira em universidades dos Estados Unidos. Ocorre nessas universidades uma divisão entre ensinar a língua e a literatura em geral, assim como a divisão entre aprender a língua num estágio inicial e ler obras literárias dessa língua após alguns anos de estudo. O que pretendo nesse trabalho é focar nas aulas que discutem literatura e, através delas, o aluno aprenda novos elementos da língua estrangeira e de uma nova cultura, assim como acontece com a leitura de obras na língua materna.
Partindo dessa idéia inicial, esse estudo aborda um tema importante na área de ensino língua estrangeira: a leitura destes textos em LE e como ele é aplicado em sala de aula. Seu objetivo é identificar como se dá a interação entre o professor de língua inglesa e seus alunos durante o processo de leitura de uma obra em inglês.
A pesquisa (será) realizada no CEPAE – Colégio de Aplicação em Goiânia/GO, instituição pública, em uma turma de 6º ano. Os alunos terão acesso a um trecho de uma obra literária (ainda vou selecionar) e, ao final, será aplicado um questionário sobre a opinião dos alunos em relação ao que eles aprenderam do texto, se eles gostaram de trabalhar na obra e do modo como foi trabalhado.
